#312 – Como recriar cervejas históricas sem inventar história

Brassagem Forte

O fascínio do passado e a armadilha da “receita original”

Neste episódio do Brassagem Forte, Henrique Boaventura conversa com João Kolling sobre um desejo comum de quem faz cerveja: olhar para trás e tentar entender como eram as cervejas de outras épocas. À medida que o cervejeiro se aprofunda, surge o “novo hobby”: caçar estilos perdidos em livros antigos, tabelas estranhas e ingredientes com nomes bizarros e que hoje não são amplamente disponíveis. No entanto, é justamente aí que mora o risco. Afinal, recriar cervejas históricas não é nostalgia e, muito menos, teatro de “eu fiz a receita original”.

João bate num ponto central: a materialidade histórica ficou no passado. Portanto, mesmo que você encontre uma receita de arquivo, ela não é “a original”, no sentido prático. Mudaram a cevada, a malteação, as fontes de calor, o equipamento, a lupulagem, as safras e até os açúcares usados. Assim, o objetivo realista não é cópia perfeita: é releitura, dentro do que é possível hoje, com critérios técnicos.

O Brassagem Forte conta com a parceria da Hops Company, da Levteck, da EZbrew e da Cerveja Stannis.

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#311 – Brassando com Estilo: Mixed-Style Beer

Mixed-Style Beer (BJCP 34B) é, essencialmente, a categoria “balaio bem organizado” para cervejas que não se encaixam com honestidade em um estilo já descrito. Neste episódio do Brassagem Forte, Henrique Boaventura conversa com Fábio Koerich sobre por que a versão 2021 do BJCP melhorou essa definição e, principalmente, sobre como pensar, inscrever e julgar uma Mixed-Style sem cair na armadilha do “eu fiz duas rampas, logo é um processo especial”.

A diretriz 2021 deixa mais claro que a 34B aceita cervejas que combinam estilos existentes (inclusive especialidades), além de variações de um estilo base que usem método/processo não tradicional (ex.: dry hopping em base onde isso não é típico, stein beer, eis/“freeze concentration”), ingrediente não tradicional (levedura fora do perfil esperado, lúpulo com caráter diferente do estilo base) ou até versões fora da especificação (Imperial, session, doces demais, potentes demais) quando não houver uma categoria mais adequada. No entanto, existe uma regra de ouro que atravessa o papo inteiro: se o resultado ainda “cabe” no estilo base, inscreva no estilo base. Assim, o que manda não é a sua intenção inicial e, sim, o que está no copo.

O Brassagem Forte conta com a parceria da Hops Company, da Levteck, da EZbrew e da Cerveja Stannis.

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#307 – Brassando com Estilo: American Strong Ale, com John Palmer

Brassagem Forte - John Palmer

American Strong Ale: potência, malte e lúpulo sem brigar no copo

Neste primeiro episódio de 2026 do Brassagem Forte, Henrique Boaventura realiza um daqueles encontros “de checklist” para quem quer produzir cerveja com intenção: conversar com John Palmer sobre como construir uma American Strong Ale tecnicamente correta, intensa e, ainda assim, equilibrada.

Com muita alegria, o Brassagem Forte segue contando com a parceria da Hops Company, da Levteck, da EZbrew e da Cerveja Stannis.

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#303 – Dia de Julgamento: German Leichtbier, com Lucas Prates

O Dia de Julgamento é uma das séries mais aguardadas do Brassagem Forte, inspirada no programa estadunidense Dr. Homebrew. Nela, jurados certificados pelo BJCP (Beer Judge Certification Program) avaliam uma cerveja caseira ao vivo, com a presença da pessoa que a produziu.

Neste episódio, Henrique Boaventura e Gabriela Lando recebem Lucas Prates, cervejeiro do Vale dos Sinos-RS, para julgar sua German Leichtbier. O programa revela detalhes técnicos da receita, da fermentação e até do perfil mineral da água utilizada.

É uma verdadeira aula de avaliação sensorial e de processo, que conta com a parceria da Hops Company, da Levteck, da EZbrew e da Cerveja Stannis.

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#301 – A Hora Ácida: sua Saison pode ser selvagem!

Sua Saison Pode Ser Selvagem: fermentações mistas, selvagens e o renascimento do estilo

Mais um episódio da série A Hora Ácida, em que Henrique Boaventura e Diego Simão, da Cozalinda, aprofundam questões sobre fermentação e nacionalização de modos de produzir. A vez é das Saisons.

Papo de alto nível, que conta com a parceria da Hops Company, da Levteck, da EZbrew e da Cerveja Stannis.

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#299 – Brassando com Estilo: Best Bitter

Brassando com Estilo

A introdução de um estilo histórico

Este episódio da série Brassando com Estilo reúne Henrique Boaventura e João Kolling, cervejeiro brasileiro radicado na Escandinávia, para uma conversa profunda sobre um dos estilos ingleses mais tradicionais e ao mesmo tempo desafiadores de se reproduzir: Best Bitter.

Kolling, profissional desde 2013 e com passagens por cervejarias como Seasons, Dogma e a sueca Good Guys Brew, atualmente comanda a produção da Scouse Kjelleren em Oslo, Noruega. Além de elaborar receitas para mais de 14 bares e restaurantes, ele mantém viva a tradição do serviço em cask ale, prática que exige conhecimento técnico e respeito às raízes da cultura britânica da cerveja.

“A vida era mais simples, né? Era abrir a torneira, servir três palmos de espuma e deixar a cerveja se formar sem gaseificação”, comenta Boaventura, refletindo sobre a essência das ales inglesas.

No bar em que atua, Kolling serve regularmente a Oslo Best Bitter (OBB), uma cerveja de linha que mantém viva a tradição das Bitters, tanto na receita quanto na apresentação: clarificação perfeita, baixa carbonatação e serviço no cask com beer engine — a bomba manual que puxa a cerveja diretamente do barril sem o uso de CO₂.

Não perca esse episódio, que conta com a parceria da Hops Company, da Levteck, da EZbrew e da Cerveja Stannis.

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#298 – Dia de Julgamento: Belgian Blond Ale & Mixed-Style Beer

Dia de Julgamento #2 - Brassagem Forte

Dia de Julgamento #2 – Belgian Pale Ale e Mixed-style Beer

Introdução

Neste episódio da série “Dia de Julgamento”, do Brassagem Forte, Henrique Boaventura convida dois juízes BJCP — Oscar Freitas, presidente da Acerva Brasil, e Faustus, cervejeiro caseiro e ouvinte de longa data do Brassagem Forte — para uma experiência de avaliação completa de duas cervejas produzidas pelo próprio Faustus: uma Belgian Pale Ale e uma Mixed Style Beer baseada em German Pils, feita com lúpulos brasileiros.

O programa, inspirado no formato do Dr. Homebrew da Brewing Network, mostra em detalhes como juízes BJCP conduzem uma análise técnica, atribuem notas e discutem processos e percepções sensoriais com o próprio autor da cerveja.

Confira essa avaliação de altíssimo nível, em mais um episódio com a parceria da Hops Company, da Levteck e da Cerveja Stannis.

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#295 – Cerveja caseira em Portugal

Brassagem Forte - cerveja caseira em Portugal
Do all-in-one às medalhas: o que Jéssica Corrêa e Hélder Neves revelam sobre a cena lusitana — comunidade, concursos, estilos e viabilidade econômica

Introdução: quem fala e por quê

Neste episódio do Brassagem Forte, Henrique Boaventura entrevista Jéssica Corrêa, biotecnóloga e especialista em fermentações, e Hélder Neves, homebrewer desde 2009. O foco: cerveja caseira em Portugal. Um panorama sobre a cena lusitana, de equipamentos, insumos, custos a tendências.

Confira esse papo instigante, que conta com a parceria da Hops Company, da Levteck e da Cerveja Stannis.

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#281 – Dia de Julgamento: Blonde Ale

Dia de Julgamento - Blonde Ale

Se você quer saber como se avalia uma cerveja artesanal de forma técnica, este conteúdo é para você! Neste episódio especial do Brassagem Forte, Henrique Boaventura e Gabriela Lando, a Química Cervejeira, realizam a primeira edição do Dia do Julgamento, avaliando, segundo os critérios do BJCP, uma Blonde Ale caseira enviada pelo Taylor, membro da Cerva Serra – Cervejeiros da Serra Gaúcha.

Com a parceria da Lamas Brewshop, da Hops Company, da Levteck e da Cerveja Stannis, acompanhe a avaliação completa da Blonde Ale, entenda os pontos fortes, os erros, os acertos e, principalmente, descubra como melhorar suas próprias brassagens.

O estilo Blonde Ale

A Blonde Ale é uma cerveja de origem americana, de alta fermentação, leve e com alta drinkabilidade. Seu perfil sensorial é limpo, maltado, com baixo amargor e sutis notas de lúpulo floral, frutado ou herbal. Apresenta corpo médio-baixo, final seco e não deve ter sabores agressivos.

Ideal para quem quer uma cerveja fácil de beber, mas sem abrir mão de equilíbrio e qualidade sensorial.

Ficha Técnica da Produção

  • Estilo: Blonde Ale (BJCP 18A)
  • Malte: 100% Pilsen (Agrária)
  • Lúpulo: Brewers Gold (fresco, colhido no dia)
  • Levedura: Safale US-05 (3ª geração)
  • Água: Água de poço, sem análise prévia
  • Adições de lúpulo:
    • 100g na fervura (60 min.)
    • 100g no whirlpool (flameout)

A cerveja foi produzida no CEAB (Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Alimentos e Bebidas) em Caxias do Sul, utilizando lúpulo fresco cultivado localmente, sem análises laboratoriais sobre alfácidos ou perfil da água.

Análise sensorial completa da Blonde Ale

Aroma

  • Percepções:
    • Malte de baixa intensidade (pão, biscoito, cereal)
    • Leve dulçor (caramelo e mel), sugerindo início de oxidação
    • Lúpulo floral e frutado (pêssego, maçã) em baixa intensidade
    • Esterificação perceptível, gerando notas de frutas amarelas e cítricas
  • Problemas: Aroma não completamente limpo, leve oxidação
  • Nota: 7/12

Aparência

  • Percepções:
    • Cor amarelo palha a dourado claro
    • Límpida, porém não cristalina (leve turbidez)
    • Espuma branca, densa, de ótima formação e retenção, com aspecto cremoso
  • Nota: 3/3

Sabor

  • Percepções:
    • Malte presente (pão, biscoito, cereal) com leve dulçor
    • Lúpulo floral e herbal em baixa intensidade
    • Frutado lembrando drupas (pêssego, damasco)
    • Amargor baixo, final seco
    • Leve acidez acompanhada de notas de oxidação (caramelo e mel)
  • Nota: 11/20

Sensação na boca

  • Percepções:
    • Corpo médio-baixo a baixo
    • Carbonatação média-alta, conferindo vivacidade
    • Sem adstringência, sem aquecimento alcoólico
    • Secura perceptível, o que impacta na cremosidade e na maciez
  • Notas:
    • Gabriela: 4/5 (descontou pela falta de cremosidade)
    • Henrique: 5/5

Impressão geral

  • Conclusão:
    Cerveja honesta, dentro do estilo, mas afetada por problemas técnicos como leve oxidação e acidez inesperada. A secura excessiva reduz um pouco a drinkabilidade.
  • Sugestões:
    • Analisar e ajustar o perfil da água (evitar uso de água não tratada)
    • Minimizar exposição ao oxigênio após fermentação e no envase
    • Melhorar relação malte/água para aumentar o corpo
    • Revisar o uso de lúpulo fresco e sua influência no perfil sensorial
  • Notas:
    • Gabriela: 6/10
    • Henrique: 6/10

Pontuação Final

  • Gabriela: 30 pontos
  • Henrique: 32 pontos

Classificação BJCP: Muito boa – dentro do estilo, mas com algumas falhas perceptíveis.

Bastidores da produção: desafios e aprendizados

  • A cerveja foi feita em um evento coletivo, com uso de lúpulo fresco da plantação experimental do CEAB.
  • A água utilizada era de poço, sem análise, ajustada empiricamente com ácido lático na brassagem.
  • Levedura Safale US-05 em terceira geração, sem cultivo prévio, o que pode ter contribuído para a esterificação excessiva.
  • O lúpulo Brewers Gold foi colhido no dia, sem parâmetros precisos de alfácido, o que dificultou o controle do amargor.
  • A leve acidez pode ter origem na acidificação mal calculada da água ou em fermentação com micro-organismos indesejados.

Considerações finais dos juízes:

Apesar dos desafios, a cerveja ficou boa, bebível e dentro do estilo. O feedback técnico permite que Taylor melhore sua próxima brassagem, especialmente nos controles de água, fermentação e oxigênio.

Conclusão: como avaliar cervejas e evoluir como cervejeiro caseiro

O Dia do Julgamento não se pretende como mero exercício de análise de amostras. É uma aula sobre como avaliar cerveja artesanal, entender seus defeitos e acertos, e usar o feedback como ferramenta de evolução.

Taylor, com quase 10 anos de experiência como cervejeiro caseiro, mostra que, mesmo depois de muita prática, cada brassagem traz novos aprendizados — especialmente quando lidamos com variáveis pouco controladas como água desconhecida ou lúpulo fresco.

✅ O aprendizado aqui vale para qualquer cervejeiro caseiro: controle rigoroso da água, da fermentação e da oxidação são fundamentais para transformar uma boa cerveja em uma excelente cerveja.

#229 – Interpretando o Guia de Estilos: BJCP a fundo

Ler o guia que é bom, poucos fazem, infelizmente.

Com a parceria da Prússia Bier, da Cerveja da Casa, da Hops Company e da Levteck, vamos ir a fundo nas definições do guia de estilo do BJCP, como usá-lo, para que serve e também para que ele não serve.

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